Os relógios normais medem o tempo, mas o UR-10 SpaceMeter mede o tempo e o espaço — numa configuração única no historial da Urwerk que funde legado e liberdade, ciência e emoção.
É um Urwerk diferente de todos os outros. Tivemos a oportunidade de o estudar durante a Dubai Watch Week e, à primeira vista, o novo UR-10 SpaceMeter parece tão normal que chega a ser paradoxal: tem um mostrador redondo, ponteiros ao centro e contadores concêntricos… tudo caraterísticas tradicionais que parecem estranhas ao ADN modernista da Urwerk. No entanto, revelam uma nova faceta da filosofia da marca e permitem que se reinvente enquanto se mantém fiel aos seus valores fundamentais. E os valores da Urwerk sempre estiveram muito à frente de todos os demais…

Fundada em 1997 por Felix Baumgartner e Martin Frei, a Urwerk foi mesmo a primeira de um lote de grandes marcas independentes de alta-relojoaria alternativa que floresceu no presente milénio — e que inclui a Richard Mille, a De Bethune e a MB&F. Com uma produção anual limitada a cerca de 150 peças, funciona como um verdadeiro laboratório relojoeiro onde a tecnologia de ponta se cruza com o design radical. Os relógios Urwerk são modernos, complexos e diferentes de tudo o que existe, mas mantêm-se fiéis aos mais elevados padrões da alta relojoaria: investigação independente, materiais avançados e acabamento manual meticuloso. O exclusivo catálogo assenta em três linhas distintas: a Hour Satellite afirmou-se como o cartão de visita da marca, onde as horas errantes redefinem a nossa perceção do tempo (como no UR-100 que experimentámos em 2025); a Chronometry é um campo de testes para precisão e mecânica inovadora; a Special Projects é uma plataforma experimental para soluções ainda mais ousadas e ideias ainda mais radicais.

É na revolucionária linha Special Projects que se insere o novo UR-10 SpaceMeter, apesar do seu visual aparentemente mais tradicional do que qualquer outro Urwerk. Está disponível com mostrador cinza metalizado ou mostrador preto e, embora apresente três submostradores, não é um regulador, nem um cronógrafo ou contém qualquer tipo de calendário. As suas indicações secundárias não medem a passagem do tempo; o novo UR-10 é apelidado de SpaceMeter por uma boa razão: mede as distâncias que o nosso planeta percorre no contínuo espaço-tempo. Trata-se de uma estreia mundial, com os três submostradores a funcionarem como instrumentos astronómicos:

Às 2 horas, o contador assinalado como Earth mede cada dez quilómetros percorridos pela Terra na sua rotação diária, em incrementos de 500 metros. Às 4 horas, o contador marcado como Sun avança em passos de 20 km, registando cada 1.000 km percorridos pela Terra na sua órbita solar. Às 9 horas, o contador marcado como Orbit combina ambas as trajetórias, registando assim cada 1.000 quilómetros de rotação e 64.000 quilómetros de órbita solar em duas escalas sincronizadas.

Mas há mais: no verso da caixa, um ponteiro periférico marca as horas numa escala de 24 horas, espelhando uma rotação completa da Terra. O fundo é gravado com indicações de Rotação e Revolução: a rotação é lida no sentido dos ponteiros do relógio, enquanto a Revolução é lida no sentido contrário — uma marcante oposição que reflete a própria revolução anti-horária da Terra, uma recordação poética da dança cósmica.
O relógio de Mr Spock
Na sede que a Urwerk tem na bonita praceta Place du Bourg-de-Four, em Genabra, há uma fotografia do lendário Mr Spock, um dos protagonistas da série de ficção científica Star Trek, com um… Urwerk no pulso. Trata-se, obviamente, de uma montagem humorada porque os fundadores da Urwerk eram grandes apreciadores da série televisiva. E, de facto, se Spock usasse um relógio mecânico, ele provavelmente seria um Urwerk — e talvez escolhesse o novo UR-10 SpaceMeter.

«Desde o início que recusámos a limitar-nos ao caminho já trilhado das grandes complicações tradicionais», sublinha Felix Baumgartner, mestre relojoeiro descendente de uma família mergulhada na indústria do setor. «O nosso objetivo sempre foi ultrapassar os limites da relojoaria e criar relógios que se destaquem como peças de artesanato originais e singulares». Um espírito partilhado por Martin Frei, que assume o papel de designer-chefe: «A minha formação artística está enraizada na criatividade sem limites. Livre das restrições da relojoaria clássica, inspiro-me na minha herança cultural para forjar um novo design».

Curiosamente, a história da família Baumgartner foi fundamental para a criação do UR-10. O avô de Felix era relojoeiro, enquanto o seu pai, Gérard, restaurava relógios antigos, função que desempenhava com grande distinção. Em 1996, Gérard Baumgartner descobriu um relógio de pêndulo singular assinado por Gustave Sandoz, um mestre pouco reconhecido da cronometria do século XIX, que por acaso era o Horologista-Mecânico de França, nomeado pelo Rei e pela Marinha a partir de 1874. Intrigado com a prestigiada assinatura, Gérard adquiriu o relógio, apesar de o seu funcionamento interno lhe parecer incompreensível. À sua frente estava um relógio com três submostradores, que pareciam não ter qualquer relação com qualquer indicação de tempo convencional, e um pêndulo que batia muito depressa. Pacientemente, Gérard desvendou o enigma, descobrindo por fim um rastreador de trajetória planetária — uma maravilha mecânica concebida para medir a rotação da Terra. Concebido com base no princípio de um regulador, revelou a distância percorrida pelo nosso planeta em três escalas de tempo distintas.

Uma vez restaurado, Gérard confiou esse relógio de pêndulo ao seu filho, Felix. «O meu pai, um guardião da tradição relojoeira, ofereceu-me um relógio clássico, com ponteiros normais… que não marcam as horas. Para mim, um relojoeiro que cria relógios atípicos, sem ponteiros, ao lado de Martin Frei», recorda Felix. «Esse presente tornou-se uma verdadeira ponte entre dois mundos: a devoção do meu pai à relojoaria clássica e a busca da Urwerk pela inovação. Foi a faísca que acendeu o nosso UR-10 SpaceMeter, que é o primeiro cronómetro a expressar os movimentos da Terra em quilómetros». Martin Frei acrescenta: «O tempo e o espaço são a mesma realidade. O UR-10 retrata duas características da nossa condição terrena: estarmos presos ao tempo humano e sermos meros passageiros num planeta que viaja constantemente pelo cosmos».
A mecânica
«Colocámos muito amor neste relógio. E muita energia também», diz Felix Baumgartner. «Estabelecemos uma parceria com a Vaucher Manufacture para desenvolver o movimento de base, de forma a cumprir as suas exigentes restrições técnicas e de design». Por outro lado, o módulo de complicações concebido inteiramente in-house pela Urwerk abriu novos desafios na gestão do peso e da energia, uma área que sempre esteve no centro da filosofia da marca.

«Como sempre, levámos a investigação e o desenvolvimento aos limites da nossa experiência, analisando o mais ínfimo detalhe para reter apenas o essencial», revela Felix Baumgartner. «Cinco rodas, cinco eixos, muitos rubis para reduzir a fricção e um foco preciso na potência, tudo para expressar dois ritmos diferentes num só movimento. Utilizamos rodas LIGA esqueletizadas, algumas com um peso entre 0,015 gramas e 0,009 gramas, o mesmo que uma pestana, para poupar o máximo de energia possível. Isto preserva a poesia inerente ao conceito, juntamente com a sua resistência e precisão».

Outra inovação relojoeira relacionada com o UR-10 é a adição de uma Turbina de Fluxo Duplo enquanto massa oscilante, uma evolução do sistema de corda automática unidirecional da Urwerk. A turbina patenteada é composta por duas hélices sobrepostas que giram em sentidos opostos. Quando um mecanismo de corda automática não está a rodar no sentido de enrolamento, a elevada velocidade do rotor exerce grandes restrições sobre o sistema. A turbina dupla cria um fluxo de ar entre os dois conjuntos de pás, o que faz com que abrandem e o mecanismo seja preservado; as pás das hélices também criam um espetáculo hipnotizante.
Terceiro rochedo a partir do sol
A caixa em aço e titânio tem apenas 7,13 mm de espessura, o que a torna numa das mais finas já produzidas pela Urweek. E é tão complexa quanto se poderia esperar. A parte superior da caixa em titânio e o fundo em aço encaixam perfeitamente e são selados com um parafuso longitudinal.

«A caixa é aparentemente limpa e simétrica, mas tem uma construção muito específica», diz Martin Frei. «É aparafusada pelas laterais, como fazia Gérald Genta. É uma estrutura típica de alguns relógios icónicos. Tem apenas duas partes e não tem luneta: é simples, mas na verdade extremamente complexa». Os ponteiros e o mostrador do UR-10 SpaceMeter são confecionados na sua própria oficina, com um acabamento irrepreensível. Tudo feito no terceiro planeta do sistema solar, mas de vocação intergalática.
As nossas impressões
O UR-10 SpaceMeter pode ser considerado como uma reflexão filosófica sobre o nosso lugar no universo; para além da simbologia inerente à sua criação, é um relógio de estética notável que será mais unânime e que talvez assente melhor no pulso do que muitos outros Urwerk — porque o tamanho, apesar de razoável, assenta bem no pulso e tem uma presença forte. O visual full metal modernista, que é mais acentuado na versão de mostrador cinza do que na versão preta, é particularmente diferenciado. E, com um preço abaixo dos 100.000 euros, é mais ‘acessível’ do que muitos outros modelos da marca.

Num plano mais simbólico, o UR-10 é um convite a reconsiderar aquilo que a Urwerk representa. Para além do sistema de horas através de braços satélite pelo qual ficou conhecida, a verdadeira natureza da marca assenta em três pilares sempre assinalados pelos seus fundadores. O primeiro é uma ligação humana fundamental, exemplificada pelo laço inquebrável entre os dois fundadores e pelo legado relojoeiro da família Baumgartner. O segundo é uma linguagem de design contemporânea em constante mudança: da evolução à atualização e da reinterpretação ao salto quântico, as formas e os detalhes assumem sempre grande fluidez na Urwerk. O terceiro é a fusão simbiótica do design com uma força criativa que também está em constante evolução. Seja no mostrador, nos materiais, no acabamento, nos cálculos de binário ou na procura da leveza, a Urwerk mantém o seu estatuto de pioneira na relojoaria — e o UR-10 SpaceMeter reforça essa aura.

Já agora… o nome Urwerk presta homenagem tanto ao passado como ao futuro. Faz referência à cidade mesopotâmica de Ur — onde os Sumérios mediram o tempo pela primeira vez através das sombras projetadas pelos monumentos — e deriva das palavras alemãs Ur (primitivo/original) e Werk (trabalho/mecanismo). Em conjunto, expressam a ideia de um mecanismo original — e o simbolismo do nome é perfeito para uma marca dedicada a reinventar o próprio conceito de tempo. Visite o site oficial da Urwerk para mais informações sobre o novo UR-10 SpaceMeter.
Algumas caraterísticas técnicas:
Urwerk
UR-10 SpaceMeter
Ano de lançamento | 2025
Referência | UR-10

Movimento | Mecânico de corda automática com um sistema de rotor bidirecional, Calibre UR-10.01 desenvolvido pela Urwerk, automático com duplo tambor, turbinas de fluxo duplo patenteadas com duas hélices em contrarrotação, 44 rubis, frequência de 4 Hz (28 800 a/h), 43 horas de reserva de carga; materiais usados: aço, latão, ARCAP, CuBe, Durnico, níquel (LIGA).
Funções | Horas e minutos analógicos no centro; contador de distâncias da Terra no equador/10 km às 2 horas; contador de rotação da Terra em torno do Sol/1.000 km às 4 horas; contador de distância concêntrico duplo às 9 horas; horas numa escala de 24 horas no fundo da caixa; rotação e revolução numa escala de 24 horas no fundo da caixa.
Mostrador | cinzento metalizado PVD ou preto, com ponteiros ‘seringa’ ao centro e três submostradores de distância com ponteiros Breguet.
Caixa Ø 44mm | Largura, 45,40 mm; comprimento, 44 mm; espessura (sem incluir os vidros), 7,13 mm; caixa em titânio microjateado, fundo da caixa em aço com vidro de safira; vidros de safira com revestimento anti-reflexo; coroa de titânio às 12 horas; estanquidade testada à pressão de 3ATM/ 30m.
Bracelete | Titânio microjateado com 32 elos individuais. Fecho de báscula.
Preço | 70.000 CHF mais taxas; produção limitada a 25 exemplares de cada versão de mostrador





