11 tendências relojoeiras para 2026

O que se pode esperar das modas que irão impulsionar a indústria relojoeira em 2026, após um ano de 2025 caraterizado pela crescente importância dos dress watches? Aqui ficam 11 grandes tendências.

Ano novo, vida nova? Num mercado relojoeiro que vai crescendo de importância apesar do seu aparente anacronismo, há sempre que ter em consideração as tendências que podem mexer com a indústria — o mercado global de relógios de prestígio (ou ‘de luxo’) foi avaliado em 33,12 mil milhões de dólares em 2025 e deverá crescer de 33,56 mil milhões de dólares em 2026 para 48,27 mil milhões de dólares em 2033, com uma taxa de crescimento anual de 5,2% no período previsto (2026-2033). O ano passado foi difícil para muitas marcas e para o mercado — resultando em excesso de oferta e produto excedente, para além da cautela dos consumidores devido à conjuntura global marcada pelas guerras e pelo capricho das tarifas impostas pelo maior mercado do mundo. Com a passagem das ditas tarifas americanas dos 39 para os 19%, o ano de 2025 concluiu-se numa nota ligeiramente mais otimista… até porque o mercado pre-owned se reequilibrou, após a loucura do biénio 2022/3. Mas vamos então às 11 grandes tendências que se esperam para 2026.

1. Relógios de Forma

O escultural Capri desenhado por Laurens De Rijke | Foto: De Rijke & Co
O escultural e minimalista Capri desenhado por Laurens De Rijke | Foto: De Rijke & Co

A crescente popularidade do design integrado foi não só disruptiva para a tirania dos modelos redondos tão evidente entre 2008 e 2018, como também abriu caminho para a renovada popularidade dos relógios de forma na categoria dos dress watches. A Cartier e a Piaget, especialistas na matéria, ganharam maior preponderância de mercado com propostas que vieram juntar-se ao eterno Reverso da Jaeger-LeCoultre no que diz respeito à relojoaria fina — mas as micromarcas também investiram nessa geometria mais peculiar, como se pôde constatar no After Time by Milano Watch Week: a Echo/Neutra, com o Rivanera Piccolo (como alternativa quadrada ao Rivanera retangular), e a De Rijke, com o Capri, oferecem excelentes propostas a preços muito interessantes.

2. Relógios Pequenos

No pulso: o novo 1815 midsize da A. Lange & Söhne | Foto: Miguel Seabra/Espiral do Tempo
No pulso: o 1815 de 34mm que a A. Lange & Söhne lançou em 2025 | Foto: Miguel Seabra/Espiral do Tempo

A aposta em força nos relógios de visual clássico verificada entre 2008 e 2018 redundou na tendência atual da presente década rumo a diâmetros mais pequenos — também ditos diâmetros vintage. E os novos ‘diâmetros pequenos’ para homem, especialmente no que se refere a dress watches, já não são de 38mm; são de 35 ou até 34mm, como sucede com o 1815 que a A. Lange & Söhne lançou em 2025… frisando de modo veemente que não se tratava de uma qualquer versão feminina. É de esperar que em 2026 haja muitos mais lançamentos importantes com tamanhos contidos de 35 ou mesmo 34mm, embora seja um pouco bizarro ver algumas marcas dotarem os seus relógios de mergulho (que supostamente devem ser robustos) de versões tão pequenas que retiram da equação um dos fundamentos dos tool watches: a legibilidade sob circunstâncias complicadas. Como também não parece ser esteticamente muito apropriado ver gente com 1m98 ou de pulsos particularmente grandes envergar relógios de diâmetro escasso (abaixo dos 36mm). O segredo está nas proporções, não só do relógio em si mas sobretudo no ‘acasalamento’ entre o lug-to-lug do relógio e o diâmetro do pulso.

3. Cor e Textura

Awake Sơn Mài - Silver Leaf « Ultra Violet »
Os mostradores Sơn Mài da Awake, feitos com recurso a uma técnica ancestral vietnamita | Fotos: Awake

Outra tendência que vem de trás: mostradores coloridos e de matérias especiais. Em 2024, tivemos um primeiro vislumbre da ressurgência da arte dos mostradores de pedras semipreciosas e atualmente a moda está solidificada através de estabelecidos protagonistas como a Rolex ou a Piaget e também emergentes micromarcas como a acessível Dennison. Sob a batuta do designer Emmanuel Gueit, famoso por ter criado o Royal Oak Offshore da Audemars Piguet, a Dennison ganhou mesmo um galardão no Grand Prix d’Horlogerie de 2025 e provou que os mostradores de pedra podem ser bem mais do que uma tendência passageira. Por outro lado, há a procura constante de novas inspirações que possam proporcionar texturas mais ricas e diferenciadas, como o provaram outras micromarcas independentes como a Awake com os seus mostradores artesanais, a Serica com mostradores em linho ou a Arsène Lippens com mostradores têxteis diversos. E até a Isotope abraçou as artes decorativas com a ajuda do artista português Bernardo d’Orey.

4. Subversão e Vanguardismo

Close-up de um relógio Vanguart com design moderno e números invertidos, visível no pulso de uma pessoa. O mecanismo do tourbillon é visível através do mostrador.
O Black Hole da Vanguart, com os seus discos à volta de um turbilhão central | Foto: Miguel Seabra/Espiral do Tempo

O estrondoso sucesso financeiro e reputacional da Richard Mille não deixa ninguém indiferente, mas tem sido muito difícil a outras marcas tentarem estabelecer um estilo vanguardista ou subversivo num mercado muito virado para o look tradicional estabelecido ao longo dos últimos quinze anos. A MB&F, a Urwerk e a De Bethune têm estabelecido o seu próprio trajeto subversivo, enquanto a Roger Dubuis parece estar a emendar caminho e a regressar da hiper-relojoaria para as suas raízes neoclássicas. A Hublot e a Cvstos tentam fazer a diferença — mas na categoria do ultra-luxo é a Vanguart que parece estar a estabelecer-se ao mais alto nível, com modelos como o Orb (usado no court pelo conhecido tenista russo Andrey Rublev) e o Black Hole. A Bianchet, que também está presente no ténis, procura igualmente um lugar ao sol nessa tão cobiçada esfera do ultraluxo modernista. Num patamar médio, a Norqain está a conseguir bons resultados desportivos com o Wild One e, numa fasquia ainda mais acessível, a Alp surpreendeu com uma proposta ultraleve em carbono. Mas esperam-se e desejam-se mais propostas vanguardistas em 2026, tendo em conta que o mercado da relojoaria mecânica de prestígio é excessivamente tradicional.

5. Impressão 3D

Relógio Holthinrichs com mostrador rosé e pulseira de couro claro, usado no pulso de uma pessoa, fotografado ao ar livre sobre piso de pedras.
O Signature Ornament idealizado por Michiel Holthinrichs é feito através de 3D Printing | Foto: Miguel Seabra/Espiral do Tempo

Usada para prototipagem há muito tempo, a impressão 3D está finalmente a ganhar mercado — primeiramente através de micromarcas como a holandesa Holthinrichs e a britânica Apiar, ou a Ming num patamar mais sofisticado através da primeira bracelete de malha confecionada através de 3D printing (e logo em malha de titânio). As marcas mais pequenas são sempre as primeiras a arriscar, e a petiscar!, mas os colossos da indústria mais virados para a inovação também estão atentos. É o caso da TAG Heuer. Esperam-se mais investimentos e desenvolvimentos nesta área tão específica em 2026.

6. Integrado e Alternativo

Relógio Ebel Sport Classic em aço inoxidável, com mostrador prateado texturizado, numerais romanos e pulseira metálica integrada.
O Ebel Sport Classic, talvez o relógio mais desejável dos anos 80, com um novo conceito de mostrador | Foto: Ebel

Não há dúvida de que o design integrado reminiscente dos relógios desportivos de luxo dos 70 tem marcado a última década, com cobiçados ícones como o Royal Oak ou o Nautilus a atingirem preços absurdos no mercado paralelo e a Vacheron Constantin, que já tinha o Overseas na sua coleção, a retirar dos arquivos uma reedição especialmente fiel do 222 — para além de a IWC ter, entretanto, reinterpretado o Ingenieur. A tendência de 2026 será mesmo essa: a da reinterpretação e reinvenção do design integrado, seja por marcas tradicionais que procuram dar um ar fresco ao seus modelos mais emblemáticos, como a Ebel fez com o novo conceito de mostrador para o Sport Classic originalmente desenhado por Eddy Schopfer em 1977, seja por jovens marcas que imaginam uma arquitetura integrada completamente nova, como a Ressence, a Trilobe ou a Louis Erard fizeram em 2025. A Tissot lançou novas versões (em titânio e em fibra de carbono) do PRX, alimentado pelo movimento automático Powermatic com 80 horas de autonomia.

7. Além do Eldorado

relógio em titânio preto com mostrador castanho e azul e bracelete em titânio em cima de uma mesa Isotope Chronograph Moonshot Terra Maris
O Isotope Chronograph Moonshot ‘Terra Maris’ com caixa e bracelete em titânio | Foto: Isotope

O preço do ouro tem atingido índices espatafúrdios e essa sobrevalorização fez saltar exponencialmente os preços dos relógios feitos no metal precioso por excelência — embora os modelos de platina (que atualmente até está bem mais barata do que o ouro!) continuem a ser tradicionalmente os mais exclusivos em qualquer catálogo, da Rolex à A. Lange & Söhne. E é na procura de metais de prestígio que sirvam de alternativa ao ouro que se vai basear a corrida ao Eldorado em 2026… com o titânio, que começou a ganhar élan nos anos 80 até se estabelecer como um material preponderante no contexto dostool watches e das propostas desportivas, a granjear ainda maior protagonismo pelas suas propriedades intrínsecas: leveza, resistência, antialergia. O tântalo, que acompanhou o Chronomètre Bleu da F.P. Journe ao estatuto de unicórnio, é outro metal que estará em grande neste novo ano.

8. Braceletes e Troca Rápida

Fecho metálico de relógio com acabamento escovado, mostrando detalhes do mecanismo de ajuste. O fecho é gravado com o logo da marca Tudor e possui um indicativo azul, com um sistema de fivela e orifícios para ajuste.
O notável sistema de fecho ajustável do novo Pelagos Ultra | Foto: Tudor

Já é tempo de a esmagadora maioria das marcas ditas de prestígio (ou mesmo marcas que vendam acima dos 1500 euros) apresentarem braceletes dignas do século XXI — ou, pelo menos, tecnologicamente dignas da presente década. A começar por fechos com um sistema de microajuste para que a bracelete se adapte idealmente ao pulso e acompanhe as variações de peso ou até de diâmetro entre o inverno e o verão. Algumas marcas mainstream (como a Tudor) ou micromarcas têm dado cartas na área, pelo que estão a obrigar todas as outras a seguirem pelo mesmo caminho. Por outro lado, a maturidade do mercado e a crescente exigência dos aficionados também requer que as firmas relojoeiras prestem especial atenção a sistemas seguros de troca rápida de braceletes. É igualmente de esperar melhorias no departamento da malha metálica, após o que se viu no Watches and Wonders de 2025 (a bracelete Settimo, da Rolex, e a nova milanesa usada no Reverso da Jaeger-LeCoultre); a Furlan Marri tem atualmente a melhor malha de aço de preço acessível (que aplica no Disco Volante), enquanto a Ming estreou a sua extraordinária bracelete Polymesh de malha de titânio feita através de 3D Printing.

9. Quartzo a Mecânico

no pulso, um relógio Moneta da Frederique Constant com mostrador azul e correia azul no After Time by Milano Watch Week | Foto: Miguel Seabra/Espiral do Tempo
O Moneta Moonphase da Frederique Constant com a distintiva orla canelada e movimento de quartzo | Foto: Miguel Seabra/Espiral do Tempo

Numa fase em que o quartzo adquiriu uma certa nobreza, com o Élégante da F.P. Journe como exemplo supremo, é previsível a passagem de alguns modelos de quartzo a mecânicos em 2026 — como vai certamente suceder com o bonito Moneta, da Frédérique Constant, e provavelmente sucederá com a estreia de algum modelo da Dennison finalmente dotado de um calibre de corda manual (que garanta a fina espessura tão desejada pelos responsáveis da marca).

10. Mais do Oriente

Imagem dividida em duas partes: à esquerda, uma fotografia em preto e branco de Xinyan Dai, finalista do prémio de relógios de 2025-2026, com um fundo cinza e a legenda "Xinyan Dai Finalist 2025-2026". À direita, um close-up de um relógio sofisticado e detalhado, exibindo uma complexa estrutura mecânica com componentes visíveis, como engrenagens e molas, num design futurista e elegante.
Xinyan Dai ganhou o Prémio da Audácia no GPHG com o Fam Al Hut Möbius | Fotos: LVMH

Se a Suíça se mantém como a mais prestigiada proveniência da relojoaria de prestígio, bem secundada pela Alemanha, França, Inglaterra e Japão, o extremo oriente vem reafirmando atributos que começam a rivalizar com o que de melhor se faz nos grandes centros relojoeiros europeus. Já se sabia da reputação que a Seiko e a Grand Seiko têm junto dos aficionados mais exigentes e que a Citizen (que até é dona de um pólo relojoeiro que inclui a Frederique Constant, a Arnold & Son e a fábrica de movimentos La Joux-Perret) vem melhorando muito de qualidade — mas há cada vez mais mestres e marcas nipónicas a saltarem para a ribalta, enquanto a China também começa a lançar grandes talentos para o primeiro plano. A prova disso é o Prémio da Audácia conquistado pela Fam Al Hut no Grand Prix d’Horlogerie de Genève e a sua inclusão, juntamente com dois mestres japoneses, entre os cinco finalistas do Louis Vuitton Prize for Independent Creatives a ser atribuído no primeiro trimestre de 2026. Mais virão da China, com igual ou até maior qualidade.

11. Colaborações e Parcerias

relógio na mão inspirado por quadro renascentista nascimento de vénus de sandro botticelli konstantin chaykin gmt great masters of time
O Vénus da colaboração entre Konstantin Chaykin e a Great Masters of Time | Foto: GMT

Antigamente havia ‘duplas assinaturas’ (talvez a mais famosa seja a da Patek Philippe com a Tiffany & Co) e séries limitadas; agora, a coisa vai muito para além disso — graças a colaborações, parcerias e coleções-cápsula que surgem a toda a hora e em todos os quadrantes… de tal modo que já nasceram empresas especializadas na projeção de tiragens especiais, como a Grail Watch ou a Seconde/Seconde/. A própria Espiral do Tempo aproveitou a tendência: em 2023, associámos-nos à Isotope e à comemoração dos 650 anos da aliança luso-britânica no Old Radium Portugal/UK 650 (o primeiro relógio de sempre com a inscrição Espiral do Tempo!) em bronze e lançámos o Isotope x Espiral do Tempo Black Ink em 2024. O ano de 2025 foi especialmente profícuo no que aos projetos colaborativos diz respeito — podemos até destacar a parceria entre Konstantin Chaykin e a GMT Great Masters of Time inspirada em Botticelli — e a tendência prosseguirá em 2026, talvez de modo ainda mais acentuado e com possibilidades complementares de customização.

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