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Um Best Of 2021 alternativo

Em época de rescaldos, aqui fica uma resenha diferente ao ano relojoeiro de 2021 — um ano restringido pela pandemia mas também com muito para contar e com indicadores francamente positivos. Boas entradas em 2022!

Enquanto nos aprestamos a brindar ao ano que está a chegar, vale a pena destacar os protagonistas, os eventos e as efemérides que marcaram 2021. Aqui fica a devida seleção.

Personalidade(s) do ano

É praticamente impossível escolher um único protagonista, mas houve algumas individualidades que fizeram jus à votação da Personalidade Mais Carismática publicada na edição número 76 da Espiral do Tempo e que se destacaram claramente em 2022. A começar pelo quarto classificado nessa tabela e entrevistado na edição número 77, Aurel Bacs: o seu nome é sempre garantia de um leilão bem sucedido e a sua presença voltou a garantir recordes para a leiloeira Phillips; também foi o seu martelo que culminou a venda do mais badalado relógio de 2021, o Patek Philippe Nautilus com mostrador Tiffany & Co arrematado por 6,5 milhões. Max Büsser, segundo na nossa lista dass Personalidades Mais Carismáticas (até solicitou o pdf do artigo para enviar à mulher e pedir-lhe ‘crédito’ por mais dez anos!), continua a ter o Toque de Midas e o dom da palavra, sendo atualmente um incontornável líder de opinião da indústria relojoeira — para além de ganhar mais dois galardões no Grand Prix d’Horlogerie de Genève para a sua MB&F, conceber um relógio MAD 1 a preço acessível só para amigos e fechar o ano em grande através de uma inaudita colaboração joalheira com a Bulgari. Hind Seddiqi, cujo perfil publicámos na edição 76 da Espiral do Tempo, emergiu como a mais poderosa voz feminina da indústria relojoeira e organizou o melhor evento relojoeiro de sempre — a quinta edição da Dubai Watch Week. E Jean-Christophe Babin, o ex-CEO da TAG Heuer que tem dado cartas na liderança da Bulgari, também merece o devido destaque pelo sucesso relojoeiro da casa italiana e pelo papel organizativo no Geneva Watch Days. Curiosamente, ambos foram consagrados de modo distinto na edição deste ano do Grand Prix d’Horlogerie de Genève.

Aurel Bacs e Max Busser no Only Watch, com a capa da Espiral do tempo na mão | © Paulo Pires / Espiral do Tempo
Aurel Bacs e Max Busser com a edição da revista em que foram nomeados entre os mais carismáticos | © Paulo Pires / Espiral do Tempo
Hind Seddiqi e Jean-Christophe Babin, no GPHG | © Paulo Pires / Espiral do Tempo
Hind Seddiqi e Jean-Christophe Babin com os respetivos galardões no GPHG | © Paulo Pires / Espiral do Tempo

Filantropo do ano

Podia e devia ser uma das personalidades do ano, mas acaba por ter uma categoria só para si. Luc Pettavino, o monegasco fundador do leilão bienal de caridade Only Watch, é obviamente o benemérito do ano — não por ser ele a desembolsar avultadas quantias para uma boa causa, mas porque a sua admirável iniciativa já amealhou um total de 100 milhões de euros desde 2005 para o combate à distrofia muscular que vitimou o seu filho. A subasta deste ano congregou 54 marcas e gerou 30 milhões de francos suíços, mas sobretudo foi uma enorme celebração de relojoaria e de solidariedade que juntou no Palexpo de Genebra 850 protagonistas da indústria relojoeira. Para mais, é um personagem filosófico com muito boa onda… e que adora Portugal.

Luc Pettavino, fundador do leilão bienal de caridade Only Watch | © Espiral do Tempo
Luc Pettavino, fundador do leilão bienal de caridade Only Watch | © Paulo Pires / Espiral do Tempo

Cor do ano

O tom laranja da edição deste ano do Only Watch marcou muito a atualidade relojoeira de 2021, mas as cores do ano foram outras. A primavera trouxe muitos mostradores verdes em lançamentos no âmbito do salão (digital, tal como em 2020) Watches and Wonders e até na então anunciada derradeira versão do Nautilus Ref. 5711 da Patek Philippe — quando se pensava que o verde já tinha dado o lugar ao vermelho sangue/Bordeaux como ‘nova’ tonalidade, e mesmo tendo em conta a extrema procura dos icónicos Royal Oak e Nautilus de tradicional mostrador azul. Mas o lançamento da última (afinal havia outra derradeira…) tiragem do Nautilus Ref. 5711 com o mostrador turquesa dito ‘azul Tiffany’ veio lançar definitivamente esse tom para a ribalta — até porque o leilão do primeiro exemplar com fins caritativos atingiu a soma astronómica de 6,5 milhões e pôs o mundo a falar do relógio. Consequentemente, as já de si muito procuradas versões do Rolex Oyster Perpetual com mostrador turquesa lançadas em 2020 dispararam no mercado pre-owned (sobretudo a de 41mm). Ver-se-ão variações da mesma tonalidade em muitos relógios de muitas marcas nos próximos tempos, mas a Doxa deve estar a rir-se: tem apresentado o tom turquesa (que define como Aquamarine) em todas as linhas da sua coleção desde 2012…

Rolex, Patek Philippe e Doxa - mostradores turquesa | © Rolex, Patek Philippe e Doxa
Rolex, Patek Philippe e Doxa: os mostradores azul turquesa marcaram o ano, mas os da Rolex e da Patek Philippe são quase impossíveis de obter | © Rolex, Patek Philippe e Doxa

Frase do ano

«A Rolex é a companhia relojoeira com mais integridade». Uma tirada fortíssima, proferida num dos fóruns de debate da Dubai Watch Week e que para mais foi proferida pelo campeão da alta-relojoaria independente — Max Büsser. Apesar de o conceito relojoeiro preconizado por Max Büsser ser completamente diferente, ele sabe bem a fortaleza institucional que é a Rolex e que o segredo do sucesso da marca da coroa reside na total intransigência com que defende o seu nome e na capacidade de manter o rumo traçado sem se desviar dos seus ideais, mantendo-se imune a qualquer moda.

Marca(s) do ano

Não há dúvida de que, pela valorização e procura, a Rolex e a Patek Philippe viram o ano de 2021 catapultar a sua fama e fortuna para patamares ainda mais elevados. Praticamente não há relógios nas boutiques e agentes autorizados da Rolex, a não ser certas versões em ouro e/ou joalheiras; os modelos em aço, e sobretudo os da linha Professional, são incrivelmente cobiçados e têm longas listas de espera, atingindo preços estrambólicos no mercado pre-owned. O mesmo sucede com a Patek Philippe, sobretudo na linha Nautilus, que a histórica manufatura genebrina vai descontinuar para não a deixar canibalizar o resto da sua prestigiada coleção. É um pouco o que sucede com a Audemars Piguet e o Royal Oak, mesmo que a atual referência do cobiçado e valorizado Royal Oak automático também seja descontinuada para dar lugar a uma nova versão. Outras duas prestigiadas marcas, mas relativamente jovens, que bateram recordes no mercado de segunda mão e brilharam em leilões: a Richard Mille e a F.P. Journe. Pequenas manufaturas de alta-relojoaria como a De Bethune e a Akrivia também saem merecidamente valorizadas de 2021, um ano decididamente forte para as marcas independentes… que começaram a ser encaradas como the next big thing por um público mais lato, quando há já algum tempo o são para os especialistas.

Rolex e Patek Philippe | © Rolex e Patek Philippe
Qualquer modelo da linha Professional da Rolex e da gama Nautilus da Patek Philippe (e Royal Oak da Audemars Piguet) teve procura desenfreada e valorizou exponencialmente em 2021 | © Rolex e Patek Philippe

Evento do ano

Mesmo que a Watches & Wonders (sucessora do Salon International de la Haute Horlogerie) e Baselworld (que parece ter morrido uma segunda vez depois de nem ter conseguido ressuscitar do primeiro óbito!) pudessem ter tido lugar enquanto eventos presenciais, a Dubai Watch Week ganharia confortavelmente o prémio de evento do ano — e, dias após ter recebido o Prémio Especial do Júri no Grand Prix d’Horlogerie, a quinta edição do certame do Médio Oriente foi mesmo considerada pela crítica como o melhor evento relojoeiro… de sempre. Trata-se de uma autêntica cimeira onde marcam presença muitos dos protagonistas do setor, desde CEOs a líderes de opinião — e o contacto com o público e o comum aficionado faz-se ali, diretamente e à luz do dia (e nas festas noturnas), como sucedia antigamente. O foco centra-se na cultura relojoeira e há sobretudo tempo (e disponibilidade!) para debater os temas mais prementes da atualidade e do futuro da indústria. Um paraíso para qualquer amante da relojoaria.

Dubai Watch Week 2021
A Dubai Watch Week estabeleceu um novo padrão na área dos eventos relojoeiros | © Miguel Seabra / Espiral do Tempo

Ressurreição do ano

Pode ter havido um anúncio prévio do término de Baselworld e até uma tentativa de reanimação com um pequeno pavilhão durante a Geneva Watch Days para depois ser comunicada de novo a morte já anunciada, mas a ressurreição do ano vai para a marca independente de alta-relojoaria vanguardista HYT — que renasceu da falência, tendo agora Davide Cerrato como CEO… e vai ser interessante ver como um dos pontas-de-lança da vaga revivalista que pôs o neo-retro a dominar a tendência da última década irá gerir um conceito tão moderno e único como o da relojoaria fluídica da HYT. Para já, o primeiro sinal foi o descartar do anteriormente inseparável laçarote que era a sua imagem de marca. Há também notícias de que a Vulcain, especializada em relógios com alarme mecânico, também irá acordar da sua hibernação em 2022. Seria bom que o mesmo acontecesse com outras marcas históricas entretanto postas a dormir, como a Eterna.

Davide Cerrato | © Espiral do Tempo e HYT Watch | © HYT Watch
Davide Cerrato vai ter de adequar o seu emblemático visual ao espírito vanguardista da HYT | © Espiral do Tempo e © HYT Watch

Um é pouco, dois é melhor

As chamadas colaborações continuam a ter grande popularidade junto do público, criando buzz e gerando valor acrescentado em edições limitadas. E isso tanto é válido ao mais alto nível, comprovado pela edição do Nautilus com mostrador duplamente assinado pela Patek Philippe e pela Tiffany & Co., como para as chamadas micromarcas — como se tem visto com a recém-nascida Furlan Marri e sobretudo a Baltic, que até integrou o catálogo do leilão Only Watch. Uma marca de preço superior ao desses dois casos (mas mesmo assim de patamar acessível) que tem trabalhado muito bem o conceito é a Louis Erard liderada por Manuel Emch: as suas colaborações com vultos relojoeiros da estirpe dos ‘velhos mestres’ Alain Silberstein e Vianney Halter esgotaram rapidamente e valorizaram-se; a mais recente edição limitada em parceria com a companhia modificadora seconde/seconde/ também surpreendeu e deu que falar.

Le Régulateur Louis Erard x seconde/ seconde/ | © Louis Erard
Le Régulateur Louis Erard x seconde/ seconde/ | © Louis Erard

Material do ano

Há uma década falava-se muito de cerâmica e carbono enquanto tendência de futuro, mas nos últimos anos o aço tem solidificado o seu domínio ao mais alto nível. O mais democrático dos metais é também o mais cobiçado — e, por consequência, o mais precioso — na maior parte dos relógios Rolex da sua linha Professional (Daytona, GMT-Master II, Submariner, etc) e até Oyster Perpetual (sobretudo as versões de mostrador mais colorido) e também nos históricos modelos Nautilus da Patek Philippe e Royal Oak da Audemars Piguet. Para mais, o sucesso dos chamados relógios desportivos de luxo com design integrado (como o Nautilus e o Royal Oak) ou bracelete metálica (como a maioria dos Rolex) tem forçado a concorrência a seguir a tendência e adotar braceletes metálicas, ou mesmo a reeditar antigos modelos seus de arquitetura integrada que faziam parte dos catálogos das décadas de 70 e 80.

Destaque ao material "Aço" do Rolex e Patek Philippe | © Rolex e Patek Philippe
Os modelos em aço e com bracelete metálica, de design integrado ou não, continuam a marcar a atualidade relojoeira | © Rolex e Patek Philippe

Gafe do ano

Logo na primeiro fórum de relojoaria da Dubai Watch Week, a moderadora do painel inaugural terá visto a inscrição Breitling SA (Societé Anonime) associada ao nome de Georges Kern e anunciou o CEO e um dos donos da marca como mero «responsável da Breitling South Africa». O habitualmente duro Georges Kern, antigo CEO da IWC e executivo de topo no grupo Richemont antes de se juntar à compra da Breitling, até reagiu bem. Mas a gafe tornou-se viral — e a piada manteve-se ao longo da semana na Dubai Watch Week e perdurará na memória, especialmente tendo em conta o estatuto de Georges Kern.

Gafe do ano, na Dubai Watch Week | © Espiral do Tempo
O ‘CEO da Breitling South Africa’ reagiu relativamente bem à gafe da moderadora | © Miguel Seabra / Espiral do Tempo

Micro com efeito macro

As chamadas micromarcas (marcas pequenas, independentes e de preço abaixo dos 1000 euros) estão a emergir da relativa obscuridade e a saltar para o mainstream — e o ano de 2021 foi a prova de que determinadas marcas com preços à volta dos 300, 400 ou 500 euros passaram a ser olhadas com respeito e a conviver descomplexadamente com manufaturas de elite cujo primeiro preço ultrapassa a centena de milhar de euros. Isso pode-se constatar não só no pulso de colecionadores e jornalistas do sector, como também na imprensa especializada. A Baltic já tinha garantido anteriormente um lugar muito especial no firmamento relojoeiro; o ano que agora chegou ao fim catapultou novas marcas como a Furlan Marri (que até ganhou o Prémio Revelação no Grand Prix d’Horlogerie de Genève) e a Studio Underd0g. E, num exemplo mais próximo, a Isotope do português José Mendes Miranda registou igual crescimento em vendas e reconhecimento. As micromarcas que apresentam qualidade, originalidade e bom gosto passaram a ser encaradas como um exercício iniciático que atrai novos aficionados para a relojoaria ou um exercício de estilo cool e barato adotado por colecionadores habituados a patamares de preço mais elevados.

Studio Underd0g, Furlan Marri e Isotope | © Miguel Seabra / Espiral do Tempo
Micromarcas em grande: Studio Underd0g, Furlan Marri e Isotope | © Miguel Seabra / Espiral do Tempo

Cancelamento do ano

O anúncio da ressurreição e consequente comunicado do falhanço de Baselworld foi uma trapalhada total que não surpreendeu ninguém, pelo que nem merece integrar a categoria. A escolha vai para o facto de a tão aguardada exibição da OAK (One Of a Kind) Collection no Design Museum ter sido cancelada no mês de dezembro — mas não para sempre, uma vez que foi adiada para 2022. A cerimónia de inauguração de uma das maiores coleções privadas do mundo, que é mesmo a maior em determinadas secções do acervo (como no caso dos Calatravas da Patek Philippe), contava com a fina-flor dos líderes de opinião mundiais e já estavam todas as viagens marcadas quando a variante Ómicron veio anular a tão badalada iniciativa. Estima-se que a inauguração oficial seja feita no próximo mês de maio e nos moldes que estavam previamente estabelecidos para os dias 8 a 10 de dezembro de 2021.

Cartaz The Oak Collection - The Design Museum
Cartaz da exposição da The OAK Collection no Design Museum; a inauguração foi cancelada nas datas previstas e adiada para 2022 | © DR

Beijo (duplo) do ano

A Christiaan van der Klaauw é uma pequena manufatura de alta-relojoaria desconhecida do público em geral e até da maioria dos aficionados, mas é a marca mais especializada na concepção de complicações astronómicas (muitas vezes concebendo essas especialidades para outras marcas de topo) e ganhou justamente o prémio do Grand Prix d’Horlogerie de Genève para o Relógio Astronómico do Ano. O casal formado por Daniel e Maria Reintjes, que assumiram a marca das mãos do mestre Christiaan van de Klaauw, foram ao palco receber a correspondente estatueta e selaram a vitória não com um, mas dois beijos. Um novo recorde no historial do GPHG, que já anteriormente tinha visto ósculos na consagração dos casais Richard e Maria Habring (nas várias edições em que ganharam a Petite Aiguille) e Stefan e Ev Kudoke (em 2019).

O Beijo de Daniel e Maria Reintjes no GPHG | © Espiral do Tempo
O beijo comemorativo de Daniel e Maria Reintjes | © GPHG

Virtualidade

A criptomoeda e os Non-Fungible Tokens estão a chegar à relojoaria e vão passar a fazer parte do cenário comercial do setor nos próximos tempos. Há já mesmo uma empresa baseada em Zurique, a Adresta liderada por Leonie Fluckiger, especializada nessa abordagem virtual ao universo relojoeiro — a jovem Leonie Fluckiger foi mesmo a estrela de uma sessão na Dubai Watch Week que também contou com o superempresário e colecionador Kevin O’Leary (o Mr. Wonderful do programa televisivo Shark Tank) na discussão do tema. E já foi anunciado que os desenhos originais do Royal Oak e do Nautilus da autoria de Gerald Genta vão ficar protegidos com a chancela NFT em dois leilões separados da Sotheby’s em 2022. Uma maneira de o mercado em alta gerar valor acrescentado, mesmo que seja pela via virtual.

Leonie Fluckiger e Kevin O’Leary ladeiam o moderador no debate da Dubai Watch Week sobre o futuro digital | © Miguel Seabra / Espiral do Tempo

No meu pulso

E concluo com uma nota pessoal, olhando para o meu pequeno acervo e constatando quais foram os ‘meus’ relógios de 2021 — aqueles que mais gostei de usar ao longo do ano e que melhores sensações me provocaram. Fugindo um pouco de modelos de marcas mais em voga que não utilizei tanto (precisamente por aversão à tendência), destaco duas novas aquisições e um regresso dos confins da minha modesta coleção. No primeiro caso estão o Bell & Ross Bellytanker Negroni Time e o Linde Werdelin 3-Timer Nord por motivos distintos mas também por razões de afinidade semelhantes; no segundo está o Omega Dynamic Chronograph. E começo pelo Negroni Time: trata-se de uma edição limitada de 50 exemplares idealizada pelo meu colega Wei Koh e associada à sua excelente publicação The Rake; o facto de ter uma cor vermelho-alaranjada única (a cor do cocktail Negroni que tantas vezes bebemos em eventos relojoeiros!), de ter sido lançado para evocar momentos de emoção/confraternização numa altura em que estávamos em período de confinamento e por ser eu próximo de Carlos Rosillo, co-fundador da Bell & Ross, levou-me a comprá-lo mesmo não estando em fase de compras — e conto a história dessa aquisição na minha crónica publicada na edição número 75 da Espiral do Tempo. Já o 3-Timer Nord da Linde Werdelin é um relógio que me orgulha muito particularmente — não só porque se trata de uma original interpretação do design integrado que tanto protagonismo tem assumido nos últimos tempos (mas que não é uma sequência dessa moda, porque o design remonta a 2005), mas também porque está associado à ‘transferência’ de Londres para a minha vizinhança em Cascais do dono da marca, Jorn Werdelin, um amigo de longa data; para mais, é peça única entre os 55 exemplares da edição limitada Nord… como já tinha um Linde Werdelin Oktopus Titanium de acabamento mate, o 3-Timer Nord número 35 foi preparado com uma caixa e bracelete de acabamento polido/escovado em vez do seu tratamento de superfície matizado com jato de areia. E concluo com o velhinho Omega Dynamic Chronograph dos anos 90, que estava algo esquecido no cofre e a precisar de revisão; foi reparado pelo meu amigo relojoeiro João Paulo Almeida (do atelier Tempo Minucioso) e recuperou protagonismo no meu pulso com o seu despretensioso estilo rétro e tamanho quase vintage: o diâmetro de 38mm tem ganho ultimamente muita popularidade junto dos aficionados mais tradicionalistas e o próprio Dynamic surgiu recentemente em grande destaque numa homenagem que lhe foi prestada pelo site Hodinkee… que veio não só valorizar o relógio em si como validar a minha decisão de lhe dar mais uso.

Bell & Ross Bellytanker Negroni Time, o Linde Werdelin 3-Timer Nord e Omega Dynamic Chronograph | © Miguel Seabra / Espiral do Tempo
Bell & Ross Bellytanker Negroni Time (com correia castanha que não é de origem), Linde Werdelin 3-Timer Nord (versão única de acabamento polido/escovado) e Omega Dynamic Chronograph (com correia racing Watch Garage) | © Miguel Seabra / Espiral do Tempo

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